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sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Proclamação da República

        Deixamos de ser monarquia e passamos a ser república. O que mudou? Nada. Os nomes talvez, mas o poder continuou. Um pouco de ilusão e esperança sobre escrever a história do país, a deixar de ser colônia portuguesa, a deixar de manter os reis católicos e blá, blá, blá. A questão é que ainda mantemos muita, mas muita gente no poder e lhes conferimos tratamento de rei.

        Para falar a verdade, hoje não estou nem aí com essa coisa de proclamação da república e sou consciente dessa merda de sistema no qual vivemos e mantemos. Se não somos capazes de mudar nosso sistema pessoal de relacionamentos, quem dirá o de governo. 

        Sinceramente tenho inveja da anarquia emotiva que a juventude vive hoje em dia. Eles se conhecem, se curtem e depois cada um para a sua casa. Não há necessidade de envolvimentos maiores, pois cada um deve cuidar de seus próprios sentimentos. Eu nasci em época errada e sou covarde o bastante para me dar esses direitos. 

        Quando já se viveu muitas coisas e se superou muitas dificuldades, encontrar alguém a altura é bastante difícil. A gente aprende a se reerguer e ter que confiar na mão de alguém é quase impossível, pois quem terá forças para nos segurar? Quem será mais forte do que nós mesmos para nos aguentar? Pelo menos eu ainda não encontrei alguém à minha altura. Exigente? Talvez. Soberba? Quem dera. Não me importa a classificação, me importa o que ainda tenho de vida e não quero desperdiçá-la tentando mudar os outros para se adequarem aos meus moldes e, muito menos eu quero me adequar aos moldes de ninguém mais.

        Dane-se mudar o regime de monarquia para república, isso é apenas nome, importa é mudar a si mesmo, saber o que se deseja para si mesmo. Não importa o título solteira, casada, divorciada, agregada, ferrada etc. O que importa é ser fiel a si mesma.



quinta-feira, 5 de setembro de 2013

As bruxas dos nossos sonhos e os sonhos das nossas bruxas

        As bruxas dos nossos sonhos e os sonhos das nossas bruxas nasceu entre 1998 e 1999 com o objetivo de homenagear duas pessoas muito importantes para mim: minha irmã e uma amiga da faculdade que gentilmente ilustrou algumas cenas da história. A febre de livros de bruxos e bruxas estava chegando no Brasil, mas minha opção pelo tema foi o fato de na época minha irmã estar fazendo curso de Bruxaria e minha amiga ter um perfil de bruxa. Eu, recém saída de um convento, ainda não me atrevia a gostar destes temas, apesar de achá-los atraentes. 

        Hoje farei duas publicações: esta explicando a motivação desta história, juntamente com a capa do original escrito num computador 486 e impresso numa impressora matricial. E outra com o início da história.

        Espero que vocês gostem e, se sentirem vontade de interferir na história, podem deixar seus comentários. Boa leitura!



        A todos e todas que acompanharam a história ao longo de dois meses, MUITO OBRIGADA. Foram 30 capítulos terminados exatamente no dia 5 de novembro e hoje retirados deste espaço porque agora estão nas mãos de avaliadores editoriais.Voltarei aos meus devaneios do cotidiano...

terça-feira, 3 de setembro de 2013

19. Missão cumprida

       O sol, percebendo a insegurança das leguminosas missionárias, chegou de mansinho e aqueceu-as afetuosamente. Nenhum ser da natureza é ignorado, todos dançam no mesmo ritmo, num equilíbrio fenomenal, magnífico. Uns se alimentam dos outros, um dá a vida ao outro. Não há disputa cruel, há equilíbrio ecológico. São as pessoas que abalam este equilíbrio, subjugam-na a seu bel- prazer. A natureza por si é sábia e obediente, criativa e afetiva.

Lá estavam elas, as jovens missionárias, as escolhidas e enviadas de horta Esperança. Estavam frente a frente com o cultivador. Daquele que dedicou uma vida toda a cuidar da manutenção da vida. Cenotita relembrava as sábias palavras de Sempre-Viva, os gestos maternos de Terra, as recomendações de Rosa-Flor e a confiança de Pinheiro-Silvestre.  Cenorramaria pensava em seus semelhantes, na construção da própria identidade.

- Cenotita?

- Sim.

- O que vamos fazer?

- Nada.

- Por que não vamos fazer nada?

- Porque vamos ser.

- Vamos ser o quê?

- Vamos ser nós mesmas. Vamos ser cenoura e cenorraba. Exalar nossos aromas, espreguiçar nossas folhas, crescer e ficarmos belas. Assim, quando o cultivador acordar, verá na realidade, aquilo com o que ele está sonhando.

            Fim...ou início...

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

18. Quem entrará com o vaso?



Elisabete e Paulo Afonso chegaram juntos à sala de espera. João Pedro estava inquieto, roendo as unhas. As crianças ansiosas querendo saber quando terminaria o exame. Ao verem os dois chegando logo perguntaram:

- Acabou o exame? Podemos ver o vovô?   

- E aí Afonso, como está o papai? – perguntou Pedro.

- Vamos dar uma volta Pedro.

Impetuosamente Carolina se colocou à frente do tio e exigiu:

- Tio, você não respondeu. Como está o vovô? Já podemos entrar?

Paulo Afonso com os olhos ainda vermelhos não conseguiu mentir à sobrinha. Segurou-a pelos braços enquanto todos olhavam em silêncio. Tomou fôlego e finalmente esclareceu aos sobrinhos a verdade:

- Carol, acontece que o vovô Antônio está dormindo profundamente.

- Ele morreu?! – questionou aflita.

- Não. Ele não morreu. Não sabemos direito porque, mas ele adormeceu, está em coma. Num sono profundo e nós não sabemos quando vai acordar.

Tiago, André e Vanessa acompanhavam atentamente a explicação do tio. Cada um sentiu dentro de si uma coisa estranha. Tiago ficou perplexo, como se de uma ora para outra sua cabeça ficasse vazia, seu corpo mole, sem controle dos movimentos. André sentiu um frio na barriga, uma pontada na cabeça, um medo terrível de não sei o quê. Vanessa sentou no sofá, colocou as mãos no rosto e começou a chorar convulsivamente. Elisabete abraçou-a enquanto Pedro passava as mãos pela cabeça sem saber direito o que fazer. Carolina fez um gesto como se estivesse engolindo todos os sentimentos que surgiram de repente.

A esta altura o vaso com Cenotita e Cenorramaria estava esquecido, quando Carolina, num gesto de profundo amor, pegou-o e disse:

- Se meu avô está num sono profundo, ele vai acordar. E, quando ele acordar verá perto de si o que sempre gostou. Aquilo que lhe deu tanta alegria. Podemos deixar o vaso no quarto?

- Pode Carol – respondeu Elisabete. – O doutor Aloísio permitiu. Só que você não pode entrar no quarto, tem que ser um dos adultos.

Vanessa parou de chorar, levantou-se do sofá, foi ao encontro da prima, pediu o vaso e voltando-se para o pai pediu:

- Papai, leva o vaso para o vovô. Diz pra ele que nós estamos esperando que ele acorde logo. Ele ainda tem que me ensinar a colocar minhoca no anzol.

Pedro olhava a filha com olhos arregalados. Procurou ajuda no olhar dos irmãos. Viu-se diante de si mesmo, diante da mais pura realidade, enfrentar de frente o pai agora inconsciente, sem ter a certeza de estar sendo compreendido. Pegou o vaso, olhou-o como se estivesse pedindo ajuda. Cenotita e Cenorramaria sentiram a angústia de Pedro, também estavam aflitas. Dirigiu-se ao quarto e por sorte, o doutor já havia avisado a enfermeira que não impediu a entrada de Pedro.

Entrou, avistou o pai e num relance se lembrou da mãe sendo velada. Apertou o vaso contra o peito e como se estivesse em câmera lenta foi se aproximando. Seus olhos buscavam algum movimento no corpo do pai estendido sobre a cama. Uma fresta de sol parecia querer chegar ao rosto do enfermo. Tubos, máquinas, ..., o que estaria ele sentindo? Onde estaria sua consciência agora? Num outro mundo? Ali mesmo? Por que não acordava?

Quando deu por si estava perto o bastante para ver o rosto pálido e envelhecido daquele homem que tantas vezes fora ofendido por seu jeito simples de ser. Quantas vezes desejou ter um pai de terno e gravata e não um caipira de galocha e chapéu de palha. Quantas vezes impediu que suas namoradas conhecem o pai feio, sem modos galantes, que falava errado. Quantas vezes desejou crescer logo para sair daquela casa cheia de enxadas, bichos e mal arrumada.

Se pelo menos tivesse a certeza de que o pai o ouvia, seria este o momento de pedir perdão. Seria este o momento para dizer que nenhum lugar no mundo é tão quente de calor quanto a velha casa de Céu Azul. Que nenhuma mulher faz um café tão cheiroso quanto aquele passado às 4h00 da madrugada pelas mãos cheias de calos do velho pai. Nenhum colo é tão macio quanto o do ultrapassado pai. Ah, se pelo menos ele o estivesse ouvindo.

Sem perceber Pedro falava baixinho tudo o que estava pensando. Cenotita e Cenorramaria ouviam-no e emocionadas choravam. Em seus coraçõezinhos elas refletiam, por que as pessoas só criam coragem para serem elas mesmas diante de uma situação muito grave? Por que não falam sempre o que sentem e pensam?  Por que elas têm tanto medo de serem criticadas, ridicularizadas? Por que passam a vida toda escondendo os sentimentos mais belos? Quantas pessoas morrem sem um dia terem dito ao outro o quanto o amava. Os humanos são estranhos mesmo.

Pedro não sabia direito como ficar. Sentava, ficava em pé. Como era difícil ficar olhando aquele corpo com vida apenas aparente. Quantas vezes teve o ímpeto, a vontade de abraçar aquele corpo, mas por insegurança, por medo de rejeição, não o fez. Quantas vezes abriu a boca para pedir àquele corpo um beijo, um chamego, e não pediu, por medo de rirem de sua necessidade. E se Antônio morresse? Levaria para o túmulo o calor que Pedro tanto precisava. Ah, Deus, ele daria tudo para que o pai voltasse.

Quando deu por si estava ao lado da cama, olhando para o rosto do pai. Quantas semelhanças os dois possuíam: o nariz, a boca com lábios grossos, a falha das sobrancelhas. Como é infinitamente maravilhoso perceber que se é uma parte do outro. Um é parte do outro e todos somos parte de Deus. Como pôde viver tanto tempo sob seu próprio cabresto? Como pode temer ser rejeitado afetivamente. Se o pai o rejeitasse, estaria rejeitando a uma parte de si mesmo.

Pedro embriagado por seus sentimentos nem percebeu que falava em voz sussurrada tudo o que se passava por sua cabeça.

Como com Paulo Afonso, a enfermeira veio e pediu para que saísse. O paciente deveria ficar só. Precisava ser avaliado e medicado. Pedro balançando a cabeça em sinal afirmativo quando saiu do quarto.

(Continua...)

sábado, 31 de agosto de 2013

16. Acordem!


                  - Vamos levantar meninada! – chamava Elisabete – Está na hora de irmos ver o vovô.

            Espreguiçaram-se por uns cinco minutos. Viraram de um lado, do outro, até decidirem levantar. As flores missionárias também tremeram suas folhinhas antes de acordar direito. Todos despertaram com uma sensação de bem estar, provavelmente decorrência da noite de oração.

            Tomaram um café da manhã bastante reforçado, com pão, ovos fritos, leite e queijo. Tudo fresquinho e saudável. Depois pegaram o vaso com as plantinhas, entraram no carro e partiram em direção ao hospital.

Chegaram logo, mas não puderam entrar no quarto de UTI.  As crianças ficaram apreensivas e os adultos, como sempre, contornaram a situação dizendo que Antônio estava sendo examinado pelo médico e que criança não podia entrar para não encabular o avô. A permissão de entrada só foi concedida a Paulo Afonso quando este se identificou como o filho que ainda não tinha visto o pai.

Os demais ficaram na sala de espera. Os adultos quase engolindo os dedos de tanto roer as unhas. As crianças ansiosas olhando para o vasinho questionando sobre a hora em que acabaria o exame.

Elisabete deixou-os o foi conversar com o médico. Andou por um corredor comprido com muitas pessoas aguardando a chamada. Estranhamente ninguém lhe era indiferente. Olhava aqueles rostos sofridos, expressando dores e via em cada uma o rosto do próprio pai. Entrou no consultório do Dr.Aloísio, cumprimentou-o e logo perguntou sobre o estado de Antônio.

- Elisabete, seu pai está estável. Sem alterações. As funções renais estão funcionando bem, a pressão arterial está controlada e os pulmões também.

               - Ele ainda está inconsciente? – perguntou Elisabete.

- Sim, ele ainda está inconsciente. Nada podemos fazer a não ser esperar que ele volte. É um mistério. Você tem que entender que ele não está morto. Ele apenas está preso dentro de si mesmo. Não é algo que se pode curar com remédios. O que fazemos por ele é alimentá-lo, banhá-lo, medicá-lo, mas acordá-lo....

- Por quanto tempo ele ficará assim?

- Não sabemos. Mas olhe Elisabete, vocês devem estimulá-lo a voltar. Conversem com ele. Peça-o para que volte. Fale das coisas que ele gosta.         

Elisabete lembrou-se do vaso.

- Doutor, meus filhos e meus sobrinhos ainda não sabem do estado do avô. Eles trouxeram um vaso com legumes da horta que ele cuidava. Meu pai era muito apegado ao trabalho da terra. Será que eles poderiam entrar no quarto com o vaso?

Mal terminara de falar, doutor Aloísio balançou a cabeça negativamente e um frio passou pela barriga de Elisabete.

- Infelizmente as crianças não estão autorizadas a entrar no quarto de UTI. São normas do hospital. Quanto ao vaso ... não deveria, mas vou autorizar.

Elisabete sorriu aliviada.

(Continua...)

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

15. As plantas também rezam



            Dentre todas as noites do tempo em que Antônio estava no hospital, a que antecedeu a ida de Cenotita e Cenorramaria  foi a mais interessante. Uma chuva fina caia sobre os telhados de Céu Azul. Na casa de Antônio todos se deitaram, mas nem todos conseguiram dormir, principalmente os adultos. Paulo Afonso fazia suas orações e ajoelhado aos pés da imagem de Nossa Senhora da Esperança pedia pela recuperação do pai, intercalando orações de conformidade com orações de desespero. A janela estava aberta e a luz da lua iluminava Rosa-Flor e Pinheiro-Silvestre. Num momento de profundo diálogo com os céus, palavras em forma de oração e poesia começaram a sair dos lábios angustiados do amigo de Deus:

            “Deus,
olhando entre as pobres grades de uma janela da vida,
            assim como se olha por uma alma empobrecida,
vejo a chuva que cai com tal leveza,
            quanto a mão de uma mãe que acalenta o filho pródigo.

            Ah, pobre de mim,
            contemplando de longe as maravilhas
            vindas de mãos tão divinas...
            escute-me Deus.

            Aquela Rosa...alí.
Tão sozinha em sua plenitude, tão acalentada pelos que a cercam.
De longe a admiram. Rosa tão perfeita, tão frágil, mas tão amada e admirada.
            Todos a invejam, principalmente eu.
           
Ela, a mais bela de todas: A Rosa.
            Que do lado de fora das grades contempla a chuva.

            És, meu Deus, este forte Pinheiro
            Cujo raio de sol o faz feliz.
Refletindo o rosto meigo, daquele que ama sem saber se é amado.
            Daquele que se doa sem sentir o afago da doação.

            Meiga Rosa,
            Ao lado do bravo e amigo Pinheiro,
cuja alma é abrigo às criaturas abençoadas e bem vindas.

            Pobre de mim.
            Observo de longe, com olhos que não enxergam.
Ao longe, mesmo de longe te sinto no mais profundo esconderijo,
            de um coração que não merece, Rosa, ser percebido.

            Minha mão não te alcança.
Teus espinhos repletos de essência
do amor e da compaixão podem me ferir.
            Vida não conquistada, não vivida.
            Condeno-me a vida e me deixo levar
            pela visão mais bela que já tive.”


       Elisabete e Pedro, cada um em seu leito, vivia sua angústia pessoal.

          Muito mais tensas estavam Cenotita e Cenorramaria. De forma alguma conseguiram adormecer. Não sabiam nem sequer o que conversar, as horas pareciam uma eternidade. De repente, Cenorramaria voltou-se para Cenotita e disse:

            - Cenotita, o que você costuma fazer quando está nervosa?

            - Bom, depende da situação. Às vezes eu canto, às vezes fico me balançando de um lado para o outro, às vezes fico recitando poesias, sei lá. Por quê?

            - Por nada não. É que eu estou muito angustiada.

            - Eu também. O que você acha de conversarmos com o Grande Artista do Universo? Ele pode nos acalmar.

            - Mas onde está ele? Eu não o vejo   perguntou Cenorramaria um tanto confusa.

            - Você não precisa vê-lo, basta acreditar que Ele está aqui. Ele realmente está. Ele está em tudo aquilo que criou.

            - Ele me criou?

            Cenotita ficou um pouco confusa. Como dizer que Cenorramaria não fora criada pelo Grande Artista do Universo? A vida a Ele pertence. Se não foi Ele quem a criou, pelo menos foi Ele quem lhe deu o sopro de vida.

            - Sim. Foi o Grande Artista do Universo quem te deu vida.

            - E como se conversa com Ele?

            - Como se conversa com o melhor amigo. – respondeu Cenotita. – Nós podemos tentar. Eu começo a falar e você também. Vamos recitar uma poesia ao nosso Criador.

            - Está bem – aceitou Cenorramaria.

Cenotita:                    “ Criador Nosso, que mora no céu
Cenorramaria:                        O teu nome é tão belo e grandioso
Cenotita:                    Mande a nós a tua paz, o teu carinho
Cenorramaria:                        Para que nós façamos aquilo que você quer
Cenotita:                    Hoje, amanhã e sempre
Cenorramaria:                        Dá-nos sempre a terra mãe
Cenotita:                    Não leve em conta nossos erros
Cenorramaria:                        Nos ensina a não levarmos em conta os erros dos outros
Cenotita:                    Por favor, não nos deixe enfraquecer
Cenorramaria:                        Liberta-nos do medo
Juntas:                        Assim seja!”

            Com a alma mais tranquila cada uma adormeceu, atraindo para aquela casa a paz e a esperança.

(Continua...)