Hoje eu teria mil assuntos tristes e dramáticos para compartilhar. Foi um final de semana realmente desgastante, mas não foi como das outras vezes, apesar do enredo ser o mesmo dos últimos trinta anos. Álcool, agressividade, internação etc. Desta vez eu estou diferente, escolhi ser diferente, decidi ser diferente. Mas não foi uma decisão de agora, impulsiva, radicalizada, ela veio acontecendo. A vida veio me preparando para este dia. O dia em que na escala hierárquica eu estaria à frente e teria que assinar os papéis. Como me senti pronta! Não houve sentimentos antagônicos como raiva e pena. Apenas a leveza de que estava fazendo o que deveria ser feito. Sem medo ou euforia. Foi como qualquer outra obrigação que eu devesse cumprir.
Durante as horas que permaneci sentada numa desconfortável cadeira esperando, me peguei relembrando algumas cenas que vivi neste ano, e todas eram tão deliciosamente boas e alegres, que nem percebi o desconforto. Creio que sorri sozinha várias vezes. Eu não conhecia esta sensação. Meu Deus! Como é bom relembrar fatos e encontrar coisas boas, experiências que me encheram o coração de amor e esperança. Eu conhecia o contrário até então. Sabia como era contaminar a alma ao relembrar fatos dolorosos e sofridos. Puxa, mas nada se compara à força das boas lembranças.
Relembrei os abraços que ganhei, os beijos, os carinhos, os olhares intensos, o passear lado a lado, as palavras doces e risonhas e até as lágrimas de boas emoções. A experiência de saber que se é importante para alguém me sustentou nesta hora difícil e delicada. Meu coração ficou certo do que fazia e minha mente tranquila.
A força que se formou dentro de mim, que me ajudou a discernir cada passo, cada ato, nasceu da mágica experiência de sentir o coração de outra pessoa bater junto ao meu. As pessoas podem dizer que nos amam, podem escrever cartas, mandar mensagens pelo celular, mas nada, absolutamente nada se compara à experiência de abraçar alguém que se quer bem e sentir seu coração bater aceleradamente junto a si. Não há expressão física maior entre duas pessoas que se gostam. Quando estamos sós e passamos por alguma situação difícil, a lembrança daquele abraço nos faz sentir imensamente mais fortes, pois não sentimos apenas um, mas dois corações em nós.

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