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Gosto de compartilhar pensamentos e vivências, porque ao retirá-los de mim posso enxergá-los melhor.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Significado

        Na época da minha segunda faculdade tive uma professora que por três anos vivemos uma relação de amor e ódio, na mesma intensidade. O que eu mais detestava nela era o fato de todas as aulas ter que produzir algum trabalho que ela nunca corregia. Simplesmente aparecia uma nota no boletim. Enfim, mas eu gostava de suas aulas, no primeiro ano foi Linguística, no segundo Sociolinguística e no terceiro Psicolinguística.

        Lembro-me das primeiras aulas onde ela nos explicava a relação entre significante e significado. Eu em minha ingenuidade acadêmica num de meus trabalhos tentei explicar a relação entre os dois conforme havíamos aprendido:

                         SIGNIFICANTE  = (neste espaço desenhei uma ovelha)
                         SIGNIFICADO                     OVELHA

        Nunca pensei que a teoria de Saussure me fosse tão útil neste momento. Todo significante precisa do seu significado. Apliquemos isto nas relações humanas afetivas. Duas pessoas se conhecem, se apresentam e dizem seu nome. A pessoa é o significante e seu nome é o significado. Com o passar do tempo, conforme a amizade e a intimidade cresce entre as duas, o significado passa a mudar e uma começa a chamar a outra, por exemplo, de Amiga, de Anjo, de Relaxo etc. Estas palavras são significados assumidos por quem os diz em relação ao seu significante. 

        Agora pensemos, você conhece uma pessoa, convive com ela diariamente. No começo ela te significa por teu título, mas à medida que cresce a amizade e a intimidade ela passa a não te nomear mais, apenas te encontra e diz "oi" e começa a conversar. Então você começa a se perguntar: "O que eu significo para esta pessoa?".

        Basta ver os casais, no começo de namoro eles se tratam por: Meu Amor, Meu Docinho, Minha Vida e tantas outras doçuras. Com o passar do tempo se chamam pelo nome e quando o amor acaba, aí não posso reproduzir aqui, seria impróprio. Ou seja, ao longo da relação o significante permanece, mas o significado muda.

        Acho que estar no limbo é algo assim, é não ter significado já que você não pertence nem ao céu e nem ao inferno. Confesso que é angustiante estar aí.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

A falta

       Observo que transformei este espaço praticamente num diário. Sinto falta de vir aqui e depositar sentimentos e pensamentos que preciso trabalhar, ponderar, administrar. Eu estudo há pelo menos trinta e três anos, tenho uma pasta cheia de diplomas e certificados, mas me dou conta de que nenhuma das escolas por onde passei me educou os sentimentos, é como se eu ainda vivesse na idade da pedra e minha maior expressão de amor fosse dar uma paulada na cabeça de alguém.

     Conscientizar-se disso me parece algo cômico e trágico ao mesmo tempo. Cômico porque minha figura deve ser bastante distoante e trágico porque me causa muito sofrimento. Eu poderia relatar fatos e fatos de uma infância trágica, adolescência conflituosa e decisões equivocadas, mas apenas tornaria tudo auto-piedoso.

     Posso resumir tudo em falta de educação emocional. Faltou tato de quem estava ao meu redor, faltou delicadeza, faltou olhar, faltou toque, faltou perguntar: "O que você tem?", "O que você está sentindo?". Faltou me dizerem que era normal chorar vendo um filme, faltou contar histórias antes de dormir, faltou o beijo de boa noite, faltou o bom dia, faltou o passeio no parque, faltou chutar a bola junto, faltou deitar na grama e me ensinar a encontrar as estrelas, faltou abraço, faltou beijo, faltou tudo o que fizesse em mim crescer o afeto. Pensando bem nem sei como ainda sou capaz de sentir. Tudo está atrofiado e caminhando para a ferrugem. 

     A minha boca se tornou uma arma, porém incapaz de reproduzir as coisas que sinto, porque eu não sei identificar o que sinto, só sei que sinto falta de tudo o que faltou. E quando alguém tenta me dar o que não tive, me sinto como se já não merecesse mais, como se o tempo não fosse mais propício, então me sinto algoz de mim mesma.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Vasos

        Eu não sou boa com vasos, principalmente os que ficam dentro de casa. Aliás, eu só descobri que tenho algum jeito com plantas depois que passei a cultivar o jardim, porque tudo o que eu tenho em vasos, deixo morrer, seja por falta de água, seja por falta de adubo, seja por muito ou pouco sol. 

       Talvez alguém diga: "Qual é a diferença? Se você cultiva uma planta no jardim poderá cultivá-la no vaso", mas isto não é verdade. A planta no vaso depende cem por cento de mim, se eu não regá-la, não adubá-la, não colocá-la devidamente no sol, ela morrerá e como tudo o que está muito próximo de nós, nos acostumamos com sua imagem e corremos o risco de não perceber suas necessidades. 

      Quando eu planto algo no jardim eu exerço a humildade e o desapego crédulo. Humildade porque deixo de pensar em mim mesma como sua única provedora e a entrego aos cuidados da mãe natureza. E desapego crédulo porque passo a confiar de que ela saberá defender-se dos perigos, sejam os ventos fortes, sejam as pragas, e mesmo assim continuará me reconhecendo.

     O desenvolvimento de uma planta no jardim é explosivo, é abundante, não há limite para suas raízes e quanto mais ela cresce mais forte ela fica e por mais tempo estará comigo, não necessariamente ao meu lado, dentro de casa, mas em nosso espaço, o jardim. Se eu quiser vê-la terei que ir onde ela está, faça frio, chuva ou calor. Mas o maravilhoso disso tudo, é que ela estará ali, linda, exuberante, cheia de folhas, de flores e ao seu redor outras tantas que lhe servirão de apoio, de companhia.

       Confesso que dá muito medo passar uma planta de um vaso para a terra, ela fica parecendo frágil e pequenina diante das outras, mas com o passar do tempo, quando eu menos espero, ela está crescida. Desde o começo do ano, tenho tentado passar minha querida rosa para o espaçoso jardim. É natural que nos machuquemos um pouco, ela por ser fortemente remexida e eu por não saber tocar com o devido respeito seus espinhos. 

      Eu a acompanharei respeitando sua adaptação em seu novo espaço e a verei de tempos em tempos, faça chuva ou faça sol, e meu coração voltará a sorrir. 

sábado, 20 de abril de 2013

3 x 4

       O barulho do secador de cabelos me acordou, já estava mesmo na hora de levantar, precisava sair cedo para fazer exames de sangue, um check up de colesterol e triglicérides, estas coisas de gente nos quarenta. Havia dormido bem, ao ponto de perder a noção do fim de semana, às cinco da manhã quis levantar para ir trabalhar, cheguei a acender a luz, mas depois me dei conta de que era sábado.

       Havia planejado ter um fim de semana de descanso e lazer, exceto pela obrigação do exame. Não pensei que tantas pessoas, assim como eu, deixassem para ir ao laboratório num sábado. Quase uma hora de espera. O garrote estava tão apertado que nem senti a agulha. Minha recompensa por não chorar foi uma ficha para a máquina de café. 

     Com o carro cheio de lixo reciclado decidi passar no supermercado e depositá-lo na coleta seletiva, desejando que tivesse de fato um destino útil e que tudo não passasse de um jogo de marketing. Precisava sacar dinheiro para o fim de semana e como sempre, o caixa eletrônico de meu banco não estava funcionando. 

      Ao abrir a carteira para guardar o cartão uma foto saltou aos meus olhos. Estava ali, imortalizado, mais do que um rosto, um lindo momento de alguém muito especial para mim. Sua boca tentava não sorrir, o que sei lhe era difícil não fazê-lo e seus olhos queriam ver longe, desejosos de enxergar além das aparências. A foto para a faculdade. 

     Estas fotos são engraçadas, elas sempre são para algo. Podem ser para uma matrícula num curso, para uma contratação de trabalho, para um passaporte, sempre são para algo novo. Talvez seja por isso que sempre estamos descontentes com elas, porque elas refletem nossas inseguranças e medos, expressam nossas dúvidas em relação ao que virá. Desejamos sempre que elas fiquem melhores e que expressem tudo de bom ao nosso respeito. 

    Com o passar dos anos, quando voltamos a vê-las, podemos reconhecer as fases que vivemos e observar o efeito de nossas escolhas sobre nosso corpo,  e nos damos conta de que não éramos nem melhores nem piores do que imaginávamos, apenas desejosos de saber como seria nosso hoje. 





quinta-feira, 18 de abril de 2013

Fome

        É muito comum escutar: "Tenho um vazio no estômago" como sinônimo de "estou com fome". Costumamos inclusive brincar com tal expressão. Então comemos e nos saciamos, ou seja, completamos com alimento aquele espaço vazio que reclamava seus direitos, alguns reclamam até com sons.

       Algumas pessoas comem mais do que o necessário para encher seu estômago e aos poucos se tornam obesos e infelizes. Creio que seja porque não percebem que a fome que sentem não é de comida, mas de valores como compreensão, solidariedade, misericórdia, compaixão, amizade, amor. E como vivemos numa sociedade que anseia por estes valores mas não sabe exatamente como vivê-los, elas se sentem constantemente famintas.

        O estômago é um mero símbolo das nossas fomes interiores, as quais na verdade estão em nossas mentes e corações. Na adolescência eu gostava muito de escutar um grupo chamado Titãs. Eles cantavam: "Você tem fome de quê?" Sempre levei à sério esta pergunta.

        O vazio do meu estômago está essencialmente nas ausências. Ausências daqueles que perdi sem explicações, fossem levados pela morte, fossem levados pela vida. Foi pensando nestas ausências que tive o ímpeto de tentar visitar uma ex-professora que se tornou uma grande amiga e lá se vão catorze anos de amizade. 

        Ela não estava, deveria trabalhar o dia todo. Fiquei tão feliz por não encontrá-la por este motivo que voltei para casa agradecida. Tudo porque minha querida amiga havia passado pelo menos oito destes catorze anos que nos conhecemos num processo depressivo, por causa de sua infinita fome de amor materno, de amor conjugal, filial e de um verdadeiro sentido para a sua vida. 

        Seu marido lhe havia abandonado e escolhido a bebida. Sua mãe nunca lhe dedicara o afeto que precisava para ser uma mulher segura e seu filho pouco a considerava, assim como seus alunos não a valorizavam. Várias foram às vezes em que minha presença forçou-a levantar-se da cama e pelo menos se sentar para conversarmos um pouco. Várias foram às vezes que a encontrei mais e mais gorda. Ela parou até de dirigir e chegou a passar necessidades financeiras.

        Há uns três anos seu pai faleceu e logo em seguida sua mãe. Os meses que antecederam a segunda morte foram marcados pelo afeto e compreensão mútua, e a alma de minha amiga foi finalmente saciada. Ela me doou todas as flores e plantas do casal, o que para mim é uma honra.

        Eu fiquei muito feliz ao saber que ela não estava porque hoje dedica-se à cuidar de crianças portadoras de necessidades especiais. Deixei meu recado e um forte abraço. A minha fome continua, mas há em mim uma estranha sensação de que de alguma forma todos continuam comigo.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Amores

        A metáfora da borboleta me encanta, toda a questão do casulo, da transformação e tudo o mais. Em algumas fases da vida estamos no casulo e outras somos borboletas. O interessante é que este processo é contínuo e repetitivo, pelo menos para algumas pessoas. Sob este ponto de vista amar faz toda a diferença.

        O que quero dizer é que os relacionamentos seriam impossíveis de não fosse o amor, porque cada um está numa fase. Um dia a pessoa que amo está casulo, outro ela já se transformou em borboleta. Em outro dia eu estou no casulo e de repente viro borboleta. Só o amor pode dar sentido a estes desencontros.

        Sou incapaz de explicar a que tipo de amor me refiro, porque dizem que há amor de pais, de filhos, de namorados, de amigos, de amantes e lá se vão tantos tipos de amores. O que me parece algo angustiante porque cria a sensação de que se eu não viver algum desses tipos de amores eu serei uma pessoa incompleta ou infeliz.

        Esta catalogação nos coloca em situações esquizofrênicas, acho que é por isso que hoje há tanta gente largando mão de definir até sua sexualidade, vai saber. As pessoas querem simplesmente ser amadas e amar. Eu conheço pessoas que amam seu animal de estimação mais do que amam seu marido. Eu conheço pessoas que amam mais seus amigos do que seus pais. 

        A sensação que tenho é a de que amamos a quem nos enxerga como somos, sejamos casulos ou borboletas. Tenho a sensação de que desejamos ser vistos, reconhecidos, descobertos e aceitos. E quando isso acontece nos sentimos amados. Há pais que olham seus filhos e não os veem. Há maridos que olham suas esposas e não as enxergam e vice-versa. 

       Há momentos em que o enxergar fica turvo, não exatamente porque o outro não nos vê, mas porque nós não nos vemos, não nos reconhecemos, não sabemos em qual estágio estamos, não conseguimos nos mostrar. Ser borboleta ou casulo não significa estar na melhor ou pior fase, apenas significa estar numa fase diferente. Há vantagens e desvantagens nas duas. Estes momentos são complexos porque o outro não tem como nos amar, pois não consegue nos ver, não sabe a quem amar. 

        E acontece do outro não nos enxergar e não enxergarmos o outro porque estamos tão próximos que nos acostumamos com o que vemos, amamos tanto o outro que nos acostumamos com sua beleza e fixamos na memória esta imagem, projetada cada vez que a vemos, quase como uma máscara. E de repente, assim como as pessoas com hipermetropia, precisamos distanciar o olhar para ver melhor. 

     Muitos relacionamentos, sejam eles quais forem, terminam por isso. O que não se vê deseja e necessita ardentemente ser amado, mas o outro não sabe a quem amar. Ou então, quando afastam o olhar para ver melhor, tantas são as mudanças, as rugas e as marcas que o outro fica irreconhecível. É nesta hora que entra o que chamo de amor-paciência, amor-esperança, amor-observador, amor-fraterno. Se há tipos de amor, eu prefiro catalogá-los assim. 

terça-feira, 16 de abril de 2013

Frações

        Não sei se ela é minha amiga ou inimiga, não sei se é minha aliada ou rival, o que percebo é que quando ela me possui eu mudo. Altera-se a minha capacidade de camuflar, ou seria pudorar, minhas visões mais internas. Eu falo bruscamente o que falaria com cuidado, eu passo por cima, chuto o balde, destroço o pescoço - no sentido figurado - e depois me arrependo e choro convulsivamente. É de enlouquecer, ou não. Quem sabe seja esta a minha forma mais autêntica de ser, o meu momento coragem.

        A TPM é um dos meus grandes incômodos, antes porque eu nunca sabia quando ela apareceria, hoje porque me distraio e quando percebo ela já apareceu. Às vezes penso que minha TPM é minha Pomba-Gira, e das bravas, que se mete no meu corpo porque acha que lhe pertence, vasculha meu subconsciente e joga toda a sujeira no ventilador. O que me consola é que assim como eu, ela está envelhecendo e logo logo desaparecerá, e que vá com Deus, possuir outros corpos mais jovens.

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        - Linda Flores!

        - Dá licença.

        - O que você tem?

        - Na verdade não sei direito doutor. 

        - Você fez muitos exames.

       - Eu estive doente, ainda tomo alguns remédios, mas tenho sentido muito cansaço, meus olhos pesam, tenho muito desânimo e dores no peito. 

        - Você está estressada. Quando nos estressamos abaixa a produção de serotonina no cérebro e isso pode causar depressão.

        - ? !

        - Vou te pedir alguns exames e depois te passo um antedepressivo leve, não vicia. O melhor mesmo é você fazer alguma atividade: hidroginástica, correr, vai no forró! Você já foi no forró?

        - Já fui sim senhor.

        - É muito bom, não é?

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      Uma folha com 94 questões para resolver e uma entrevista depois. Quinze minutos foi o suficiente, e como acabei cedo fiquei esperando meia hora pela entrevista que durou não mais do que cinco minutos. "Você é ótima no que faz". Espera em casa que te ligamos. 

        Pensei ser a mesma balela de qualquer empresa, mas no dia seguinte me telefonaram para uma conversa com a diretora."É possível que você venha às 16 hs hoje?", pela primeira vez disse "Não posso, tenho uma consulta médica". Se fosse em outras ocasiões eu deixaria de ir ao médico e priorizaria a entrevista aceitando qualquer oferta. 

        Por algum motivo, após o médico passei exatamente às 16hs enfrente à empresa e num impulso decidi estacionar e entrar. 

        "Nossas condições são essas." "Tenho minhas restrições e vocês devem ter outros candidatos". "Você é nossa primeira opção." Foi a primeira vez que ouvi isso, é interessante ser a primeira opção de alguém.

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        Quem em sã consciência tem a coragem de dizer para uma criança que a amizade é como um cristal e uma vez rompido não tem conserto, só pode ser alguém que nunca teve amigos. Amigos verdadeiros são pedras de fazer concreto, estão na base. Muitas vezes são usadas para melhorar a estrada, formam caminhos onde há barro. Amigos são pedregulhos que drenam nossas lágrimas para que não inundemos em nossas tristezas.

        O cristal intimida, formaliza e produz medo, é para ser admirado, até venerado como objeto energético, irradia superioridade, está em nossas estantes e ninguém pode brincar com ele, um ferimento seu pode ser mortal. O pedregulho está nos jogos de amarelinha, em nossos jardins formando caminhos até as flores, até fere, mas não tanto, na cabeça cria um galo, nos pés calos. 
       
        Para que serve uma taça de cristal? Para fazer um brinde leve num casamento, porque senão ela quebra, e depois ficar guardada de recordação numa cristaleira acumulando poeira. Amizade mesmo é como copo de plástico, ninguém tem medo de quebrar, por isso se solta, cria intimidade. Não falo dos descartáveis, mas os comuns que a gente até prefere com um rótulo afetivo de algum personagem, que a gente leva em picnic, deixa cair e dá na mão de uma criança sem medo.

        Eu não quero amigos cristais porque eu sou pedregulho. Eu já tive amigos taça de cristal, mas sou muito, muito mais feliz com os amigos copos de plático.

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