Não é a primeira vez que pinto um cômodo. Já pintei casas inteiras e nunca demorei tanto. Pintar meu quarto tem sido mais do que passar tinta nas paredes, tem sido um processo interior. A terceira parede está pintada somente pela metade, pois preciso que esta parte seque para nela colocar os móveis e pintar o resto. Se fosse em outras épocas, talvez tivesse colocado todos os móveis no centro e pintado ao redor. Mas desta vez meu tempo é outro.
Estou mais lenta, não tenho vontade de atitudes exuberantes ou radicais. Quero mover o menos possível, não quero mais me machucar com atitudes bruscas. Além de pintar tenho separado aquilo que preciso e o que não preciso mais. Desfazer-me dos supérfluos ou do pouco útil, fazer uma limpeza nas gavetas e portas.
Assim, aos poucos, penso em minha vida, refaço planos e construo sonhos. Reorganizo a vida, os pensamentos e os sentimentos, talvez eu nem mude muito, mas não quero ser sempre a mesma. Algumas situações ainda me amedrontam, mas o medo vai passar, a insegurança se diluirá e o coração aflito encontrará novamente a paz, pois as paredes um dia terminam.

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